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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

não-diálogo

as frases caem desconexas - contas de colares arrebentados - arremessadas - você me escuta lá, daí onde você está?
voz encontra resmungar desconverso nem pode escutar
olha, tem gente aqui
mas, só, na verdade tem é gente lá
do lado de lá

mudo aqui o silêncio não diz nada
o silêncio não tem espaço no tempo
é só uma pausa de respiro entre atividade de repouso e impacto

nada diz nada
nem voz
nem olhar
nem silêncio e lágrimas

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

spray de chuva

Terça-feira a noite, Chove. Troveja, relampeja, Explode, Chove.

C h o v e

Bonito e sonoro. E eu ouço meu cabelo quieto arranhando o forro do capuz. Nylon branco.

A rua laranja tão inóspita, as grades meio sem sombra, o portão rangendo quando a gente entra, quando a gente sai.

Eu vou abraçar a janela, abrir aquelas frestinhas de persiana e tomar spray de chuva no rosto. Sen-tir o carinho do vento e da água.

Daí vai me dar sono ,e eu vou dormir de janela aberta, toda feliz.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Na cadeira

Sabe, tem aqueles dias que você tem um milhão de coisas pra fazer e o que você faz é sentar e se estressar com os pensamentos torturados que preocupam sua cabeça...
-- Pois é.
Sabe, eu ando no automático, é sábado, feriado, e é muito fácil perscrutar o tédio e dizer "ando muito cansada de tudo".
No fundo é só o sábado, o fim de semana, o feriado, nem sei se estou cansada mesmo e se é de tudo. Aposto que uma fagulha de aventura me faria pular da cadeira e ir pra qualquer lugar, pra praça, pro parque ou mesmo pra estrada. Mas é cedo, e essa fagulha não aparece.

O dia, a noite, o fim de semana, é [ruim] igual.
Agora.
O problema todo é que esse tédio vem de um sofrimento presente com uma futura cura, que supostamente .... enfim, o que eu to dizendo é que eu não to melhor que aquele bando de cristãos mesquinhos que dizem sofrer hoje pra viver no céu.

Bom, eu não vou viver no céu, só no meu canto, e to sofrendo agora... mas é que mesmo desejando e tendo o que fazer, não se pode fazer tudo, a toda hora.

Daí eu sento, ué. Sento mesmo, faço cara feia e detesto o som do vizinho assobiando no quintal preparando o churrasco de pós-natal.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sarau Espaço 7

Nada mais clássico crasso crássico
que um poema numa folha de
............................ guardanapo

Num lugar onde dispõe-se da liberdade
de clipar folhas de Matisse entre folhas de janela
............................ só pra criar um clima

O que serve de apoio para uma taça
de vidro de segunda categoria
............................ com vinho tinto.

sábado, 1 de agosto de 2009

Sábado é um dia feliz

Estou confinada num mundo de silêncio. Num mundo de silêncio onde as palavras são proibidas para não soarem ingratidão. Estou novamente confinada num mundo de silêncio. Num mundo de silêncio de portas e janelas fechadas pra que a existência não incomode o inferno organizado lá fora. Sem opção fora daqui - por enquanto. (Ainda insisto em ter esperança.)
Aqui no mundo de silêncio meus gritos surdos não são mais solitários durante o dia. Tem as responsabilidadesexigências calar-a-boca pra comer e principalmente dar de comer. É uma vida, mal paga, mas vive-se.
Minhas idéias e imagens sofrem atentados todos os dias. As palavras que ouvimos violentam nossa calma.
Cala a boca cale essa boca fique quieta menina fique quieta sua fedelha.
No fundo no fundo talvez eu devesse ser grata por essas portas e janelas fechadas sobre nós. Talvez as palavras sejam só despeito e ingratidão.
Mas a comida, a casa e o conforto pesam amargo no estômago e corroem as entranhas.
...
Então eu sorrio e canto enquanto tento convencer a criança a terminar o jantar.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

serão de café

essa lua de creme me encara desvairada

um sim dois não

uma volta de manhã
dormir para acordar
saber sorrir na hora certa
......................... e abraçar

quero mesmo é saber como é que a gente faz
... se a gente faz

hoje amanhã e quando tivermos sessenta e quatro anos

segunda-feira, 15 de junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Jelly bean

Dez horas da manhã centro da cidade dez graus centígrados dia dois de junho. Dia dois de junho e caçando uma alternativa ruas frias alternativamente vazias. Roupa? Vinho? O chá? A dor.
Tanta dor e frio. Frustração. Desânimo. Nomeei todos os parasitas.
Duas horas da tarde universidade federal doze graus centígrados. Os olhos ardendo não sei quantos graus de febre.
E da onde saiu essa febre?
Daquela prova entregue em branco para não insultar a insuficiência do professor com a incompetência do aluno?
Daquele dia azul sem chocolate e muita muita TPM.

Hoje não caio. Não caí. Sentei na calçada, tinha uma placa ao lado um ponto de ônibus uma mão solidária.
E daí já de pé observava os carros passando esperando o sinal abrir pra eu passar.
Passei, cheguei do outro lado da rua e o momento só já tinha passado também.
Lá na outra esquina, vestindo jeans azul intenso e blusa grafite desbotada.
E eu estava vestida de momento também.
(Todas as coisas passam, tudo passa, o segredo é passar sem deixar marcas profundas.)

Delicadas.
Outra terça feira que vai pro pote de vidro transparente.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

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|as|barras|a|janela|a|grade|a|sombra|da|grade|
|as|barras|a|janela|o|vidro|a|sombra|da|grade|a|grade|
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|as|barras|a|janela|o|vidro|a|sombra|da|grade|a|grade|
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osfiospassandoláemcimavigiandoprontosaprenderateiaarede
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arededefiosprontapradesabarprenderconterseguradentrod
|as|barras|a|janela|o|vidro|a|sombra|da|grade|a|grade
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. o c h ã o e t é r e o é i n t a n g í v e l .

terça-feira, 5 de maio de 2009

Terça-feira

- terça-feira é o dia que se arrasta, a noite que grita.
Dia de faxina, de estatística, de saída, de corrida.

Em 2005 a kitnet ficava de pernas, as poucas que tinha, pro ar, e logo cheirava a incenso verde. Em 2006 não havia diferença nenhuma entre sábado ou terça-feira. Entre 2007 e 2009 os dias foram aos poucos tomando forma, e como passou rápido,e agora a semana está quase arrumada nas suas gavetas de arquivo do jeito certo. (Um desarranjo pequeno entre quintas-feiras e sábados, mas nada que não se ajeite!)


- mas se hoje é terça, amanhã é quarta-feira laboratório e sociologia.

A saída mais pedida pra hoje é, portan-to, o computador, os papéis e o edredon florido do quarto de criança.